mas a gente só rateia com os caras.
e tranquilo
eles caem direitinho.
e tranquilo
é charme pra mais de metro.
um metro e setenta.
e ainda ganho bônus com salto alto.
e não devia ser tão educada
meu negócio é por pra quebrar
ah como já quebrei a cara.
e corações.
mas nada de romantismo!
falar de amor é quase um crime.
prendam os amantes.
já estou presa aos meus.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
quarta-feira, 1 de maio de 2013
o jeito dos moços perdidos
o charme dos caras babacas
me deixam de ressaca
ao sorrirem para mim.
e as histórias de hippie
sobre mar, drogas e bitches
que soam com prazer.
e os garotos formosos
todos vaidosos
só querem o poder.
e os punks perigos
que se fazem de inimigos
estão sempre a beber.
e o cara da banda
que acha que sou santa
não quer nem saber.
e o moço barbudo
não carrega lembranças
só pensa em morrer.
e o cabeludo daora
me chama de senhora:
prefiro nem dizer.
e escritores perversos
são todos dispersos
é melhor esquecer.
me deixam de ressaca
ao sorrirem para mim.
e as histórias de hippie
sobre mar, drogas e bitches
que soam com prazer.
e os garotos formosos
todos vaidosos
só querem o poder.
e os punks perigos
que se fazem de inimigos
estão sempre a beber.
e o cara da banda
que acha que sou santa
não quer nem saber.
e o moço barbudo
não carrega lembranças
só pensa em morrer.
e o cabeludo daora
me chama de senhora:
prefiro nem dizer.
e escritores perversos
são todos dispersos
é melhor esquecer.
ah, e aquele seu sorriso azul de vinho?
não meu amor, não vá, ainda encontro algum maço perdido. daquele azulzinho que faz o seu tipo, mas fica, por favor. é só pra você parecer perigoso, não é? e ainda te arranjo um chapéu de mafioso. mas fica. ta tocando a nossa música, aquela que fala que amor de jovens nunca dura. você não pode me deixar enquanto toca a nossa música. a nossa música dura. o meu amor também. eu te amei tão bem. e ainda sei fazer cafuné. meu amor, não vá comprar cigarros.
domingo, 31 de março de 2013
ser interessante aos 15 anos
é uma meta distante
ninguém conhece a vida aos 15
talvez a vida fosse um filme frances
ou um seriado americano
mas no fundo você sabe
que você vai ficar que nem sua mãe
não que isso fosse um problema
o problema é ter 15 anos
e saber que a vida não vai ser o filme francês.
mas o moço de 22 anos não achava isso
até sua vida virar uma novela brasileira.
e a moça dos contos de fadas
acabou
limpando privadas.
quando tudo parece um drama barato,
você tem a certeza
de que
filmes não imitam ninguém.
e que mesmo com 15 anos
você tem a certeza de
que
roteiros baratos
vão muito
além.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
um poema rude
eles seguem escrevendo
despejando poemas...
jovens garotos e professores universitários
esposas que bebem vinho durante a tarde
enquanto seus maridos trabalham,
eles seguem escrevendo
os mesmos nomes nas mesmas revistas
todos escrevendo um pouco pior a cada ano,
lançando uma coletânea de poesias
despejando mais poemas
é como um concurso
é um concurso
mas o prêmio é invisível.
eles não escreverão contos ou artigos
ou romances
apenas seguirão
despejando poemas
cada um soando mais e mais como os outros
e menos e menos como eles mesmos,
e alguns dos garotos se cansam e desistem
mas os professores nunca desistem
e as mulheres que bebem vinho durante a tarde
nunca nunca nunca desistem
e novos garotos chegam com novas revistas
e há alguma correspondência entre homens e mulheres
algumas fodas
e tudo é exagerado e estúpido.
quando os poemas são recusados
eles os reescrevem
e mandam para a próxima revista na lista,
e eles fazem leituras
todas as leituras que conseguem
de graça na maioria das vezes
esperando que alguém finalmente os reconheça
finalmente os aplauda
finalmente os congratule e reconheça o
talento deles
estão todos tão certos de suas genialidades
há tão pouco autoquestionamento,
e a maioria deles vive em North Beach ou Nova York,
e seus rostos são como seus poemas:
iguais,
e conhecem uns aos outros e
se congregam e se odeiam e se admiram e se escolhem e se
descartam
e seguem despejando mais poemas
mais poemas
mais poemas
o concurso dos cretinos:
tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, ... - Charles Bukowski
despejando poemas...
jovens garotos e professores universitários
esposas que bebem vinho durante a tarde
enquanto seus maridos trabalham,
eles seguem escrevendo
os mesmos nomes nas mesmas revistas
todos escrevendo um pouco pior a cada ano,
lançando uma coletânea de poesias
despejando mais poemas
é como um concurso
é um concurso
mas o prêmio é invisível.
eles não escreverão contos ou artigos
ou romances
apenas seguirão
despejando poemas
cada um soando mais e mais como os outros
e menos e menos como eles mesmos,
e alguns dos garotos se cansam e desistem
mas os professores nunca desistem
e as mulheres que bebem vinho durante a tarde
nunca nunca nunca desistem
e novos garotos chegam com novas revistas
e há alguma correspondência entre homens e mulheres
algumas fodas
e tudo é exagerado e estúpido.
quando os poemas são recusados
eles os reescrevem
e mandam para a próxima revista na lista,
e eles fazem leituras
todas as leituras que conseguem
de graça na maioria das vezes
esperando que alguém finalmente os reconheça
finalmente os aplauda
finalmente os congratule e reconheça o
talento deles
estão todos tão certos de suas genialidades
há tão pouco autoquestionamento,
e a maioria deles vive em North Beach ou Nova York,
e seus rostos são como seus poemas:
iguais,
e conhecem uns aos outros e
se congregam e se odeiam e se admiram e se escolhem e se
descartam
e seguem despejando mais poemas
mais poemas
mais poemas
o concurso dos cretinos:
tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, ... - Charles Bukowski
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
E matou-a. Era o silêncio absoluto do chá das cinco, o sol ainda iluminava a sala de estar onde se encontrava embriagada sentada ao lado do relógio que marcava 17:43. A roupa amassada e a maquiagem borrada não escondiam os sinais da idade. Hoje, completara 22 anos. Vinte e dois anos desde a primeira respiração. Vinte e dois anos desde que o nada a fez viver. Vinte e dois anos de chances para morrer. Morreu por nada, causas naturais: lucidez. Morreu por nada, causas naturais: loucura. Morreu por nada, causas naturais: o nada. Morreu de nada. Morreu, de nada. Morreu, por nada. Morreu, obrigada. Morreu obrigada. Morreu de morte.
domingo, 30 de dezembro de 2012
Beba menos
A vida é injusta
a cerveja é triste.
Beba mais - diria Bukowski
Beba menos, eu digo
Eu não ouço ninguém
Nem mesmo à mim
Vire a garrafa - me disseram
Mas quem são eles?
Larguei
a cerveja
o Bukowski
o conselho.
A vida é triste.
a cerveja é triste.
Beba mais - diria Bukowski
Beba menos, eu digo
Eu não ouço ninguém
Nem mesmo à mim
Vire a garrafa - me disseram
Mas quem são eles?
Larguei
a cerveja
o Bukowski
o conselho.
A vida é triste.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Nado porque voar é impossível
Corro porque parado é sofrível
Gozo porque Deus é invisível
Acalmo-me pois o amanhã é imprevisível
Não durmo pois o sonho é inatingível
Espanto-me porque viver é incrível
Amo porque a paixão é fungível
Toco porque o físico é tangível
Tento porque tudo é corrigível
Insisto pois a experiência é factível
Recolho-me pois não sou indestrutível
Contenho-me pois sou movido a combustível
Contenho-me porque não sou imbatível
Cogito pois nem tudo é preferível
Ostento pois importa o indefectível
Apago pois nem tudo é imprimível
Calo porque nem tudo é exprimível
- Invensão Noturna - Kleiton Gonçalves Bezerra Alves
Corro porque parado é sofrível
Gozo porque Deus é invisível
Acalmo-me pois o amanhã é imprevisível
Não durmo pois o sonho é inatingível
Espanto-me porque viver é incrível
Amo porque a paixão é fungível
Toco porque o físico é tangível
Tento porque tudo é corrigível
Insisto pois a experiência é factível
Recolho-me pois não sou indestrutível
Contenho-me pois sou movido a combustível
Contenho-me porque não sou imbatível
Cogito pois nem tudo é preferível
Ostento pois importa o indefectível
Apago pois nem tudo é imprimível
Calo porque nem tudo é exprimível
- Invensão Noturna - Kleiton Gonçalves Bezerra Alves
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
você sabe que eu tentei
mas eu só tenho 15 anos e eu me importo em viver
e tudo bem se eu tiver que sofrer
mas é que sempre dizem tanta merda
e você não consegue acender o seu cigarro
e você ri de mim na rua
e você vai embora
e eu queria me importar
mas eu só queria mesmo chorar
ainda não aprendi a me importar
e eles só dizem que nunca vou amar
mas eu não me importo em não me importar
e você me da o seu cigarro
e você ri pra mim na rua
e tudo bem se você quiser ficar
eu realmente não me importo
e você acha isso tudo uma merda
e você me faz chorar
e eu acho que só escrevo merda
e é uma merda se importar
mas eu só tenho 15 anos e eu me importo em viver
e tudo bem se eu tiver que sofrer
mas é que sempre dizem tanta merda
e você não consegue acender o seu cigarro
e você ri de mim na rua
e você vai embora
e eu queria me importar
mas eu só queria mesmo chorar
ainda não aprendi a me importar
e eles só dizem que nunca vou amar
mas eu não me importo em não me importar
e você me da o seu cigarro
e você ri pra mim na rua
e tudo bem se você quiser ficar
eu realmente não me importo
e você acha isso tudo uma merda
e você me faz chorar
e eu acho que só escrevo merda
e é uma merda se importar
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