A vida é injusta
a cerveja é triste.
Beba mais - diria Bukowski
Beba menos, eu digo
Eu não ouço ninguém
Nem mesmo à mim
Vire a garrafa - me disseram
Mas quem são eles?
Larguei
a cerveja
o Bukowski
o conselho.
A vida é triste.
domingo, 30 de dezembro de 2012
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Nado porque voar é impossível
Corro porque parado é sofrível
Gozo porque Deus é invisível
Acalmo-me pois o amanhã é imprevisível
Não durmo pois o sonho é inatingível
Espanto-me porque viver é incrível
Amo porque a paixão é fungível
Toco porque o físico é tangível
Tento porque tudo é corrigível
Insisto pois a experiência é factível
Recolho-me pois não sou indestrutível
Contenho-me pois sou movido a combustível
Contenho-me porque não sou imbatível
Cogito pois nem tudo é preferível
Ostento pois importa o indefectível
Apago pois nem tudo é imprimível
Calo porque nem tudo é exprimível
- Invensão Noturna - Kleiton Gonçalves Bezerra Alves
Corro porque parado é sofrível
Gozo porque Deus é invisível
Acalmo-me pois o amanhã é imprevisível
Não durmo pois o sonho é inatingível
Espanto-me porque viver é incrível
Amo porque a paixão é fungível
Toco porque o físico é tangível
Tento porque tudo é corrigível
Insisto pois a experiência é factível
Recolho-me pois não sou indestrutível
Contenho-me pois sou movido a combustível
Contenho-me porque não sou imbatível
Cogito pois nem tudo é preferível
Ostento pois importa o indefectível
Apago pois nem tudo é imprimível
Calo porque nem tudo é exprimível
- Invensão Noturna - Kleiton Gonçalves Bezerra Alves
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
você sabe que eu tentei
mas eu só tenho 15 anos e eu me importo em viver
e tudo bem se eu tiver que sofrer
mas é que sempre dizem tanta merda
e você não consegue acender o seu cigarro
e você ri de mim na rua
e você vai embora
e eu queria me importar
mas eu só queria mesmo chorar
ainda não aprendi a me importar
e eles só dizem que nunca vou amar
mas eu não me importo em não me importar
e você me da o seu cigarro
e você ri pra mim na rua
e tudo bem se você quiser ficar
eu realmente não me importo
e você acha isso tudo uma merda
e você me faz chorar
e eu acho que só escrevo merda
e é uma merda se importar
mas eu só tenho 15 anos e eu me importo em viver
e tudo bem se eu tiver que sofrer
mas é que sempre dizem tanta merda
e você não consegue acender o seu cigarro
e você ri de mim na rua
e você vai embora
e eu queria me importar
mas eu só queria mesmo chorar
ainda não aprendi a me importar
e eles só dizem que nunca vou amar
mas eu não me importo em não me importar
e você me da o seu cigarro
e você ri pra mim na rua
e tudo bem se você quiser ficar
eu realmente não me importo
e você acha isso tudo uma merda
e você me faz chorar
e eu acho que só escrevo merda
e é uma merda se importar
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
8 garrafas vazias e algumas lágrimas sinceras (round 2)
E sentada a beira do prédio fui me matando ao lembrar-me dos
momentos em que estive com eles. Chiara me dava algumas cervejas e concordava.
Sabemos que ela sou eu, mas em outra dimensão. Tão iguais. Ou nos amamos ou nos
odiamos. Apesar de estar mais propícia ao ódio, a companhia dela sempre me
agradou. Abri a primeira cerveja. Eu podia dizer o quanto eles estão me matando
e culpa-los pela podridão aqui dentro, mas está visível na minha roupa suja de
sangue.
- Por eles? Só sinto dó.
- Dó é um sentimento miserável.
- O ódio que sinto por eles também.
Tirei meus colares e anéis e deixe-os de lado. Ela acendeu um
cigarro.
- Me chamavam de demônio haha
- O demônio não tem dó de ninguém.
Soltei a garrafa. O vidro minhas ideias, o caco os pensamentos.
- Contei a eles do meu plano suicida. Era bom eu fazer direito,
nem fodendo iam cuidar de mim numa cama.
- Acha que aqui é o suficiente?
- Nunca é o suficiente.
Soltei meu cabelo enquanto ela tragava. Tirei o tênis, aquele com
qual pisei em todos. Arrumei-o ao meu lado.
- Desde tão cedo.
- Como sabe?
- Não sei. Mas sempre disseram que se esconderam alguma coisa é
pro meu próprio bem.
- Bem bem bem. Você guarda muita mágoa.
- Não por muito tempo.
Tirei a camiseta e com ela limpei o sangue de minhas mãos
- Eles estiveram me matando por tanto tempo.
- E conseguiram, sua alma fede.
- Os corpos deles também.
- Só te resta o físico, mas nem isso está inteiro.
- São apenas marcas, já desisti de chamar atenção pelo
método infanto-juvenil.
Tirei as meias e as arremessei em uma janela aberta do outro lado
da rua.
- Você não devia ter feito isso.
- Eu sei, dei o gosto de se livrar da convivência humana à eles.
- Acha que eles foram pro céu?
- Não sei, desde que não vão para o lugar que irei.
- E pra onde você vai?
- Eu vou pro meu país das maravilhas.
- E o que tem no seu país das maravilhas?
- Lá, os valores são outros.
- E está deixando o lixo.
- Sim. Não vou levar comigo nada material.
- Vai levar o emocional?
- Sim, só vou deixar aqui o intelectual.
- Porque?
- Não quero morrer por esquecimento.
- Vai acabar virando clichê adolescente.
- Na morte tudo é clichê.
Tirei o resto da roupa e fiquei em pé. Chiara me deu a mão.
- Levarei flores azuis.
- Assim espero.
Joguei-me. Chiara ficou sentada aproveitando minha última cerveja
enquanto lia isso. E como de costume, ela adicionou o que faltava.
''Destinatário: papai e mamãe''
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Muito além das 8 garrafas vazias
Já foram quase dois litros de uma beberagem estranha preparada por ela. Depois da queda recolhi seus anéis, colar e roupas que sobraram. Fiquei com vontade de sair correndo até onde conseguisse. Sair como uma louca, gritando a plenos pulmões por ai. Ela tentou, mas não morreu. Enquanto eu tiver fôlego para gritar por onde correr, ela não morrerá. Que venham mais 2 litros, pois a noite juntou-se com o dia. Nem sei mais que dia é hoje. Odeio clichês adolescentes. Acabei de contar mais um. Pra quem odeia Bukowski... - Chiara
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Lágrimas sinceras depois de 8 garrafas
E sentada a beira do prédio fui me matando ao lembrar-me dos momentos em que estive com eles. Chiara me dava algumas cervejas e concordava. Sabemos que ela sou eu mas em outra dimensão. Tão iguais. Ou nos amamos ou nos odiamos. Apesar de estar mais propícia ao ódio, a companhia dela sempre me agradou. Abri a primeira cerveja. Eu podia dizer o quanto eles estão me matando e culpa-los pela podridão aqui dentro. Mas está visível na minha roupa suja de sangue.
- Por eles? Só sinto dó.
- Dó é um sentimento miserável.
- O ódio que sinto por eles também.
Tirei meus colares e anéis e deixe-os de lado.
- Me chamou de capeta, de demônio.
- O demônio não tem dó de ninguém.
Joguei a garrafa la de cima. Só ouvi o barulho dela explodindo no chão.
- Uma vez eu disse que iria me matar. Disseram pra eu me jogar de um prédio alto o suficiente pra eu morrer na hora, não queriam cuidar de mim numa cama.
- Acha que aqui é o suficiente?
- Nunca é o suficiente.
Soltei o cabelo e tirei o tênis. Arrumei-os ao meu lado.
- É difícil conviver com isso desde os 5.
- Como sabe que é desde os 5?
- Não sei. Mas com certeza é de antes, eles sempre diziam que fazer regressão é uma coisa ruim, que se esconderam alguma coisa de mim é pro meu próprio bem.
- Bem bem bem
- Dizer no dia do meu aniversário que seria melhor se eu não tivesse nascido e depois me dar um tapa na cara foi pro meu próprio bem também.
- Você guarda muito mágoa.
- Não por muito tempo.
Tirei a camiseta e acendi um cigarro.
- Eles estiveram me matando por tanto tempo.
- E conseguiram, sua alma fede.
- Os corpos deles também.
- Só te resta o físico, mas nem isso está inteiro.
- São apenas marcas, já desisti de chamar atenção pelo método infanto-juvenil.
Tirei as meias e as arremessei em uma janela aberta do outro lado da rua.
- Você não devia ter feito isso.
- Eu sei, dei o gosto de se livrar da convivência humana à eles.
- Acha que eles foram pro céu?
- Não sei, desde que não vão para o lugar que irei.
- E pra onde você vai?
- Eu vou pra minha Pasárgada.
- E oque tem na sua Pasárgada?
- Lá, eles não me amam me dando matérias. Lá, ninguém diz ''É claro que eu te amo! Não viu o que eu te dei semana passada?''
- Por isso está tirando a roupa?
- Sim. Não vou levar comigo nada material.
- Vai levar o emocional?
- Sim, só vou deixar aqui o intelectual.
- Porque?
- Não quero morrer por esquecimento.
- Vai acabar virando clichê adolescente.
- Na morte tudo é clichê.
Tirei o resto da roupa e fiquei em pé. Chiara me deu a mão.
- Levarei flores azuis.
- Assim espero.
Joguei-me. Chiara ficou sentada aproveitando minha última cerveja enquanto lia isso. E como de costume, ela adicionou o que faltava.
''Destinatário: papai e mamãe''
- Por eles? Só sinto dó.
- Dó é um sentimento miserável.
- O ódio que sinto por eles também.
Tirei meus colares e anéis e deixe-os de lado.
- Me chamou de capeta, de demônio.
- O demônio não tem dó de ninguém.
Joguei a garrafa la de cima. Só ouvi o barulho dela explodindo no chão.
- Uma vez eu disse que iria me matar. Disseram pra eu me jogar de um prédio alto o suficiente pra eu morrer na hora, não queriam cuidar de mim numa cama.
- Acha que aqui é o suficiente?
- Nunca é o suficiente.
Soltei o cabelo e tirei o tênis. Arrumei-os ao meu lado.
- É difícil conviver com isso desde os 5.
- Como sabe que é desde os 5?
- Não sei. Mas com certeza é de antes, eles sempre diziam que fazer regressão é uma coisa ruim, que se esconderam alguma coisa de mim é pro meu próprio bem.
- Bem bem bem
- Dizer no dia do meu aniversário que seria melhor se eu não tivesse nascido e depois me dar um tapa na cara foi pro meu próprio bem também.
- Você guarda muito mágoa.
- Não por muito tempo.
Tirei a camiseta e acendi um cigarro.
- Eles estiveram me matando por tanto tempo.
- E conseguiram, sua alma fede.
- Os corpos deles também.
- Só te resta o físico, mas nem isso está inteiro.
- São apenas marcas, já desisti de chamar atenção pelo método infanto-juvenil.
Tirei as meias e as arremessei em uma janela aberta do outro lado da rua.
- Você não devia ter feito isso.
- Eu sei, dei o gosto de se livrar da convivência humana à eles.
- Acha que eles foram pro céu?
- Não sei, desde que não vão para o lugar que irei.
- E pra onde você vai?
- Eu vou pra minha Pasárgada.
- E oque tem na sua Pasárgada?
- Lá, eles não me amam me dando matérias. Lá, ninguém diz ''É claro que eu te amo! Não viu o que eu te dei semana passada?''
- Por isso está tirando a roupa?
- Sim. Não vou levar comigo nada material.
- Vai levar o emocional?
- Sim, só vou deixar aqui o intelectual.
- Porque?
- Não quero morrer por esquecimento.
- Vai acabar virando clichê adolescente.
- Na morte tudo é clichê.
Tirei o resto da roupa e fiquei em pé. Chiara me deu a mão.
- Levarei flores azuis.
- Assim espero.
Joguei-me. Chiara ficou sentada aproveitando minha última cerveja enquanto lia isso. E como de costume, ela adicionou o que faltava.
''Destinatário: papai e mamãe''
terça-feira, 2 de outubro de 2012
LÍLITCHKA! Em Lugar de Uma Carta
De qualquer forma
o meu amor
- duro fardo por certo -
pesará sobre ti
onde quer que te encontres.
Deixa que o fel da mágoa ressentida
num último grito estronde.
o meu amor
- duro fardo por certo -
pesará sobre ti
onde quer que te encontres.
Deixa que o fel da mágoa ressentida
num último grito estronde.
Quando um boi está morto de trabalho
ele se vai
e se deita na água fria.
Afora o teu amor
para mim
não há mar,
e a dor do teu amor nem a lágrima alivia.
ele se vai
e se deita na água fria.
Afora o teu amor
para mim
não há mar,
e a dor do teu amor nem a lágrima alivia.
Quando o elefante cansado quer repouso
ele jaz como um rei na areia ardente.
Afora o teu amor
para mim
não há sol,
e eu não sei onde estás e com quem.
ele jaz como um rei na areia ardente.
Afora o teu amor
para mim
não há sol,
e eu não sei onde estás e com quem.
Se ela assim torturasse um poeta,
ele
trocaria sua amada por dinheiro e glória,
mas a mim
nenhum som me importa
afora o som do teu nome que eu adoro.
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
Afora
o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.
ele
trocaria sua amada por dinheiro e glória,
mas a mim
nenhum som me importa
afora o som do teu nome que eu adoro.
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
Afora
o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.
Amanhã esquecerás
que eu te pus num pedestal,
que incendiei de amor uma alma livre,
e os dias vãos – rodopiante carnaval -
dispersarão as folhas dos meus livros…
Acaso as folhas secas destes versos
far-te-ão parar,
respiração opressa?
que eu te pus num pedestal,
que incendiei de amor uma alma livre,
e os dias vãos – rodopiante carnaval -
dispersarão as folhas dos meus livros…
Acaso as folhas secas destes versos
far-te-ão parar,
respiração opressa?
Deixa-me ao menos
arrelvar numa última carícia
teu passo que se apressa. - Vladimir Maiakovski
arrelvar numa última carícia
teu passo que se apressa. - Vladimir Maiakovski
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Morte após a vida
Já era quase meio dia e o céu estava escuro, as pessoas estavam tristes e eu estava cercada por flores. Tudo o que eu ouvia era um solo de violoncelo, The Swan. Pessoas sorridentes e tristes. Movimentos dolorosos e lentos. Parecia uma despedida da felicidade. Não acreditava. Não via. Não sentia. Era apenas um caixão metálico, eram apenas pessoas aleatórias, eram apenas rosas brancas, era apenas eu. Eu e a menina da rosa azul. Mais ninguém se importava. Ela me culpava. Me culpava por eu ter sido eu, por eu ter esquecido ele, por eu ter matado nós, por eu não me importar com eles. Que era melhor ser feliz do que viver. Mas nada girava em torno disso. Tudo girava em torno de mim e do caixão metálico. Metálico e vazio. Minhas rosas vermelhas se tornaram pretas. Estava de luto. Luto de minha mente. Matei-o por esquecimento.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Mariana não aguentava mais ser humana, queria ser flor.
Nas flores ela só via cores e o doce aroma;
Nos humanos só via sombras, Sombras que davam medo e que machucavam,
mas Mariana esqueceu que até flores machucam pessoas.
Mariana então queria ser sol, mas se sol fosse, não poderia sentir seu calor.
Mariana indecisa, tentou várias coisas ser: ar, caramujo, guarda-chuva, pedra, água.
Nada era bom pra ela.
Não sei se tentou virar aspirina, mas um monte de aspirina ela virou.
O mundo ficou de ponta cabeça.
E o pro outro lado da vida ela olhou - Mariana Rocha
Nas flores ela só via cores e o doce aroma;
Nos humanos só via sombras, Sombras que davam medo e que machucavam,
mas Mariana esqueceu que até flores machucam pessoas.
Mariana então queria ser sol, mas se sol fosse, não poderia sentir seu calor.
Mariana indecisa, tentou várias coisas ser: ar, caramujo, guarda-chuva, pedra, água.
Nada era bom pra ela.
Não sei se tentou virar aspirina, mas um monte de aspirina ela virou.
O mundo ficou de ponta cabeça.
E o pro outro lado da vida ela olhou - Mariana Rocha
O quase
Ainda pior que a convicção do não, e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu ainda está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distancia e frieza dos sorrisos na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom Dia” quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à duvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu. - Luís Fernando Veríssimo
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distancia e frieza dos sorrisos na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom Dia” quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à duvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu. - Luís Fernando Veríssimo
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Me abandonaram na praça
Me sinto usada.
Tudo bem.
Eu sempre ajo como vadia mesmo.
Não cansa, sabe?
Sempre fiquei observando.
E enquanto a vida dos outros acontecem,
Enquanto os outros estudam, saem, namoram,
Eu fico aqui, comendo Nescau e pensando em masturbação.
''Calma sua hora vai chegar'' a minha pica que vai.
Fico sofrendo pelo nada.
Mas eu escolhi isso.
Falta motivo, motivação,
Falta pessoas, humanização,
Falta amor, paixão,
Falta carinho, atenção,
Falta viver.
E bate aquela vontade de experimentar um pouco de vida.
Mas eu lembro do calor. Lembro das merdas das pessoas.
Lembro daquele merda por quem eu devia ter me apaixonado.
Lembro daquela oportunidade que devia ter aproveitado.
Aí eu bebo meia cerveja, e já esqueço.
Só porque dei uns beijos.
Só porque bebi demais.
Só porque tenho má fama.
Só porque chorei amais.
Se putaria for vida, estou vivendo do jeito certo.
Tudo bem.
Eu sempre ajo como vadia mesmo.
Não cansa, sabe?
Sempre fiquei observando.
E enquanto a vida dos outros acontecem,
Enquanto os outros estudam, saem, namoram,
Eu fico aqui, comendo Nescau e pensando em masturbação.
''Calma sua hora vai chegar'' a minha pica que vai.
Fico sofrendo pelo nada.
Mas eu escolhi isso.
Falta motivo, motivação,
Falta pessoas, humanização,
Falta amor, paixão,
Falta carinho, atenção,
Falta viver.
E bate aquela vontade de experimentar um pouco de vida.
Mas eu lembro do calor. Lembro das merdas das pessoas.
Lembro daquele merda por quem eu devia ter me apaixonado.
Lembro daquela oportunidade que devia ter aproveitado.
Aí eu bebo meia cerveja, e já esqueço.
Só porque dei uns beijos.
Só porque bebi demais.
Só porque tenho má fama.
Só porque chorei amais.
Se putaria for vida, estou vivendo do jeito certo.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Se te queres matar
Se te queres matar; por que não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!
Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...
A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é coisa depois da qual nada acontece aos outros...
Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar; inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que esteja muito mais vivo além...
Depois, a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa a ligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...
Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste.
Mais nada, mais nada, absolutamentemais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram se por acasos e fala em ti.
Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?
Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjetividade objetiva
És importante para ti porque só tu és importante pra ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?
Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa especial?
Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De cédulas noturnamente conscientes
Pela noturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nadadas aparências,
Pela relva e erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atômica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo... - Fernando Pessoa
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!
Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...
A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é coisa depois da qual nada acontece aos outros...
Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar; inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que esteja muito mais vivo além...
Depois, a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa a ligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...
Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste.
Mais nada, mais nada, absolutamentemais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram se por acasos e fala em ti.
Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?
Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjetividade objetiva
És importante para ti porque só tu és importante pra ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?
Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa especial?
Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De cédulas noturnamente conscientes
Pela noturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nadadas aparências,
Pela relva e erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atômica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo... - Fernando Pessoa
Crônica do amor
Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco. Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no
ódio vocês combinam. Então?
ódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no branco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa. - Arnaldo Jabor
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no branco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa. - Arnaldo Jabor
Liberdade, irrisória, fraternidade aleatória
Quero ser livre, mas que alguma coisa me prenda. Não sei lidar com a liberdade. Gosto de rotina, mas ela me cansa. Ou eu sou movida pelo choque, pelo medo, pela angustia de estar sempre procurando. Não sou infeliz. Só não estou satisfeita. O romance não me surpreende. Talvez esteja mal acostumada. Tenho segurança, conforto, prazer. Mas não tenho surpresa. Como se meu futuro não fosse feito de surpresas. Mas ele não pode dizer que não o surpreendi. - Chiara
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Poesia infame
Preciso escrever alguma coisa imoral
Falar alguns palavrões e pagar de durona
Cansei de escrever eroticidade romântica
Meu negócio é ser malandra
Conseguir umas cervejas de graça
Fumar uns cigarros na praça
Levar uns garotos pra casa
E queimar seus poemas na brasa
Falar alguns palavrões e pagar de durona
Cansei de escrever eroticidade romântica
Meu negócio é ser malandra
Conseguir umas cervejas de graça
Fumar uns cigarros na praça
Levar uns garotos pra casa
E queimar seus poemas na brasa
Diálogo estranho num buteco comum
- Preciso sair da rotina
- Sua rotina é precisar sair da rotina
- Se eu continuar saindo muito da rotina, minha rotina vai ser sair da rotina
- E novamente sua rotina vai ser precisar sair da rotina
- Talvez seja melhor continuar na rotina
- Qual delas?
- Aquela em que eu nunca estou satisfeita
- Sua rotina é precisar sair da rotina
- Se eu continuar saindo muito da rotina, minha rotina vai ser sair da rotina
- E novamente sua rotina vai ser precisar sair da rotina
- Talvez seja melhor continuar na rotina
- Qual delas?
- Aquela em que eu nunca estou satisfeita
15 violinos mal tocados e um professor de violoncelo muito bonito tocando piano
Eles acham que me enganam
Mas eu sei que o professor do coral está afim de mim
Cheiro de mofo e péssimos alunos
Eu preciso falar com o garoto cabeludo
Mas ele faz uma cara de dor enquanto pensa
Desconfio de psicopatia
Mas quem sou eu pra diagnosticar alguém?
Ler Freud é tão fácil
Termino aqui minha melhor melodia de frente para uma porta branca escrevendo qualquer merda sinfônica
Mas eu sei que o professor do coral está afim de mim
Cheiro de mofo e péssimos alunos
Eu preciso falar com o garoto cabeludo
Mas ele faz uma cara de dor enquanto pensa
Desconfio de psicopatia
Mas quem sou eu pra diagnosticar alguém?
Ler Freud é tão fácil
Termino aqui minha melhor melodia de frente para uma porta branca escrevendo qualquer merda sinfônica
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Não sei. Tem algo ali realmente sincero. Tem algo nele realmente sincero. Mas ele nunca pareceu sincero consigo mesmo. Talvez eu não esteja sendo sincera.
Ele sempre me pareceu falso. Tudo bem, eu gosto de caras falsos. Caras falsamente sinceros. Nunca ouvi nada além de meia duzia de frases e alguns palavrões vindo de sua boca. Mas seus passos eram sinceramente falsos. Ele nunca precisou dizer nada mesmo. Sua falsidade estava estampada em sua cara. Eu via, ali, em seu rosto, que ele não estava sendo sincero. Ele provavelmente deixou seu ranço poeta em minha boca.
Ele sempre me pareceu falso. Tudo bem, eu gosto de caras falsos. Caras falsamente sinceros. Nunca ouvi nada além de meia duzia de frases e alguns palavrões vindo de sua boca. Mas seus passos eram sinceramente falsos. Ele nunca precisou dizer nada mesmo. Sua falsidade estava estampada em sua cara. Eu via, ali, em seu rosto, que ele não estava sendo sincero. Ele provavelmente deixou seu ranço poeta em minha boca.
Nunca confie num escritor
São todos falsos consigo mesmos
Todos sinceros em seus textos
Todos com uma sensibilidade completamente insensível.
Pagam de cafetões, mas só querem cafuné
Pagam de rockstar, mas são todos uns blasés
Mas eles não são tudo isso
Vão a menos e um pouco mais
Ou não, não sei.
Talvez eu saberia se não tivesse me apaixonado por um deles.
Talvez eu esteja sendo falsamente sensível.
Talvez a escritora seja eu.
A falsa. Insensível com a minha sensibilidade.
Todos sinceros em seus textos
Todos com uma sensibilidade completamente insensível.
Pagam de cafetões, mas só querem cafuné
Pagam de rockstar, mas são todos uns blasés
Mas eles não são tudo isso
Vão a menos e um pouco mais
Ou não, não sei.
Talvez eu saberia se não tivesse me apaixonado por um deles.
Talvez eu esteja sendo falsamente sensível.
Talvez a escritora seja eu.
A falsa. Insensível com a minha sensibilidade.
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