o charme dos caras babacas
me deixam de ressaca
ao sorrirem para mim.
e as histórias de hippie
sobre mar, drogas e bitches
que soam com prazer.
e os garotos formosos
todos vaidosos
só querem o poder.
e os punks perigos
que se fazem de inimigos
estão sempre a beber.
e o cara da banda
que acha que sou santa
não quer nem saber.
e o moço barbudo
não carrega lembranças
só pensa em morrer.
e o cabeludo daora
me chama de senhora:
prefiro nem dizer.
e escritores perversos
são todos dispersos
é melhor esquecer.
quarta-feira, 1 de maio de 2013
ah, e aquele seu sorriso azul de vinho?
não meu amor, não vá, ainda encontro algum maço perdido. daquele azulzinho que faz o seu tipo, mas fica, por favor. é só pra você parecer perigoso, não é? e ainda te arranjo um chapéu de mafioso. mas fica. ta tocando a nossa música, aquela que fala que amor de jovens nunca dura. você não pode me deixar enquanto toca a nossa música. a nossa música dura. o meu amor também. eu te amei tão bem. e ainda sei fazer cafuné. meu amor, não vá comprar cigarros.
domingo, 31 de março de 2013
ser interessante aos 15 anos
é uma meta distante
ninguém conhece a vida aos 15
talvez a vida fosse um filme frances
ou um seriado americano
mas no fundo você sabe
que você vai ficar que nem sua mãe
não que isso fosse um problema
o problema é ter 15 anos
e saber que a vida não vai ser o filme francês.
mas o moço de 22 anos não achava isso
até sua vida virar uma novela brasileira.
e a moça dos contos de fadas
acabou
limpando privadas.
quando tudo parece um drama barato,
você tem a certeza
de que
filmes não imitam ninguém.
e que mesmo com 15 anos
você tem a certeza de
que
roteiros baratos
vão muito
além.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
um poema rude
eles seguem escrevendo
despejando poemas...
jovens garotos e professores universitários
esposas que bebem vinho durante a tarde
enquanto seus maridos trabalham,
eles seguem escrevendo
os mesmos nomes nas mesmas revistas
todos escrevendo um pouco pior a cada ano,
lançando uma coletânea de poesias
despejando mais poemas
é como um concurso
é um concurso
mas o prêmio é invisível.
eles não escreverão contos ou artigos
ou romances
apenas seguirão
despejando poemas
cada um soando mais e mais como os outros
e menos e menos como eles mesmos,
e alguns dos garotos se cansam e desistem
mas os professores nunca desistem
e as mulheres que bebem vinho durante a tarde
nunca nunca nunca desistem
e novos garotos chegam com novas revistas
e há alguma correspondência entre homens e mulheres
algumas fodas
e tudo é exagerado e estúpido.
quando os poemas são recusados
eles os reescrevem
e mandam para a próxima revista na lista,
e eles fazem leituras
todas as leituras que conseguem
de graça na maioria das vezes
esperando que alguém finalmente os reconheça
finalmente os aplauda
finalmente os congratule e reconheça o
talento deles
estão todos tão certos de suas genialidades
há tão pouco autoquestionamento,
e a maioria deles vive em North Beach ou Nova York,
e seus rostos são como seus poemas:
iguais,
e conhecem uns aos outros e
se congregam e se odeiam e se admiram e se escolhem e se
descartam
e seguem despejando mais poemas
mais poemas
mais poemas
o concurso dos cretinos:
tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, ... - Charles Bukowski
despejando poemas...
jovens garotos e professores universitários
esposas que bebem vinho durante a tarde
enquanto seus maridos trabalham,
eles seguem escrevendo
os mesmos nomes nas mesmas revistas
todos escrevendo um pouco pior a cada ano,
lançando uma coletânea de poesias
despejando mais poemas
é como um concurso
é um concurso
mas o prêmio é invisível.
eles não escreverão contos ou artigos
ou romances
apenas seguirão
despejando poemas
cada um soando mais e mais como os outros
e menos e menos como eles mesmos,
e alguns dos garotos se cansam e desistem
mas os professores nunca desistem
e as mulheres que bebem vinho durante a tarde
nunca nunca nunca desistem
e novos garotos chegam com novas revistas
e há alguma correspondência entre homens e mulheres
algumas fodas
e tudo é exagerado e estúpido.
quando os poemas são recusados
eles os reescrevem
e mandam para a próxima revista na lista,
e eles fazem leituras
todas as leituras que conseguem
de graça na maioria das vezes
esperando que alguém finalmente os reconheça
finalmente os aplauda
finalmente os congratule e reconheça o
talento deles
estão todos tão certos de suas genialidades
há tão pouco autoquestionamento,
e a maioria deles vive em North Beach ou Nova York,
e seus rostos são como seus poemas:
iguais,
e conhecem uns aos outros e
se congregam e se odeiam e se admiram e se escolhem e se
descartam
e seguem despejando mais poemas
mais poemas
mais poemas
o concurso dos cretinos:
tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, ... - Charles Bukowski
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
E matou-a. Era o silêncio absoluto do chá das cinco, o sol ainda iluminava a sala de estar onde se encontrava embriagada sentada ao lado do relógio que marcava 17:43. A roupa amassada e a maquiagem borrada não escondiam os sinais da idade. Hoje, completara 22 anos. Vinte e dois anos desde a primeira respiração. Vinte e dois anos desde que o nada a fez viver. Vinte e dois anos de chances para morrer. Morreu por nada, causas naturais: lucidez. Morreu por nada, causas naturais: loucura. Morreu por nada, causas naturais: o nada. Morreu de nada. Morreu, de nada. Morreu, por nada. Morreu, obrigada. Morreu obrigada. Morreu de morte.
domingo, 30 de dezembro de 2012
Beba menos
A vida é injusta
a cerveja é triste.
Beba mais - diria Bukowski
Beba menos, eu digo
Eu não ouço ninguém
Nem mesmo à mim
Vire a garrafa - me disseram
Mas quem são eles?
Larguei
a cerveja
o Bukowski
o conselho.
A vida é triste.
a cerveja é triste.
Beba mais - diria Bukowski
Beba menos, eu digo
Eu não ouço ninguém
Nem mesmo à mim
Vire a garrafa - me disseram
Mas quem são eles?
Larguei
a cerveja
o Bukowski
o conselho.
A vida é triste.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Nado porque voar é impossível
Corro porque parado é sofrível
Gozo porque Deus é invisível
Acalmo-me pois o amanhã é imprevisível
Não durmo pois o sonho é inatingível
Espanto-me porque viver é incrível
Amo porque a paixão é fungível
Toco porque o físico é tangível
Tento porque tudo é corrigível
Insisto pois a experiência é factível
Recolho-me pois não sou indestrutível
Contenho-me pois sou movido a combustível
Contenho-me porque não sou imbatível
Cogito pois nem tudo é preferível
Ostento pois importa o indefectível
Apago pois nem tudo é imprimível
Calo porque nem tudo é exprimível
- Invensão Noturna - Kleiton Gonçalves Bezerra Alves
Corro porque parado é sofrível
Gozo porque Deus é invisível
Acalmo-me pois o amanhã é imprevisível
Não durmo pois o sonho é inatingível
Espanto-me porque viver é incrível
Amo porque a paixão é fungível
Toco porque o físico é tangível
Tento porque tudo é corrigível
Insisto pois a experiência é factível
Recolho-me pois não sou indestrutível
Contenho-me pois sou movido a combustível
Contenho-me porque não sou imbatível
Cogito pois nem tudo é preferível
Ostento pois importa o indefectível
Apago pois nem tudo é imprimível
Calo porque nem tudo é exprimível
- Invensão Noturna - Kleiton Gonçalves Bezerra Alves
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
você sabe que eu tentei
mas eu só tenho 15 anos e eu me importo em viver
e tudo bem se eu tiver que sofrer
mas é que sempre dizem tanta merda
e você não consegue acender o seu cigarro
e você ri de mim na rua
e você vai embora
e eu queria me importar
mas eu só queria mesmo chorar
ainda não aprendi a me importar
e eles só dizem que nunca vou amar
mas eu não me importo em não me importar
e você me da o seu cigarro
e você ri pra mim na rua
e tudo bem se você quiser ficar
eu realmente não me importo
e você acha isso tudo uma merda
e você me faz chorar
e eu acho que só escrevo merda
e é uma merda se importar
mas eu só tenho 15 anos e eu me importo em viver
e tudo bem se eu tiver que sofrer
mas é que sempre dizem tanta merda
e você não consegue acender o seu cigarro
e você ri de mim na rua
e você vai embora
e eu queria me importar
mas eu só queria mesmo chorar
ainda não aprendi a me importar
e eles só dizem que nunca vou amar
mas eu não me importo em não me importar
e você me da o seu cigarro
e você ri pra mim na rua
e tudo bem se você quiser ficar
eu realmente não me importo
e você acha isso tudo uma merda
e você me faz chorar
e eu acho que só escrevo merda
e é uma merda se importar
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
8 garrafas vazias e algumas lágrimas sinceras (round 2)
E sentada a beira do prédio fui me matando ao lembrar-me dos
momentos em que estive com eles. Chiara me dava algumas cervejas e concordava.
Sabemos que ela sou eu, mas em outra dimensão. Tão iguais. Ou nos amamos ou nos
odiamos. Apesar de estar mais propícia ao ódio, a companhia dela sempre me
agradou. Abri a primeira cerveja. Eu podia dizer o quanto eles estão me matando
e culpa-los pela podridão aqui dentro, mas está visível na minha roupa suja de
sangue.
- Por eles? Só sinto dó.
- Dó é um sentimento miserável.
- O ódio que sinto por eles também.
Tirei meus colares e anéis e deixe-os de lado. Ela acendeu um
cigarro.
- Me chamavam de demônio haha
- O demônio não tem dó de ninguém.
Soltei a garrafa. O vidro minhas ideias, o caco os pensamentos.
- Contei a eles do meu plano suicida. Era bom eu fazer direito,
nem fodendo iam cuidar de mim numa cama.
- Acha que aqui é o suficiente?
- Nunca é o suficiente.
Soltei meu cabelo enquanto ela tragava. Tirei o tênis, aquele com
qual pisei em todos. Arrumei-o ao meu lado.
- Desde tão cedo.
- Como sabe?
- Não sei. Mas sempre disseram que se esconderam alguma coisa é
pro meu próprio bem.
- Bem bem bem. Você guarda muita mágoa.
- Não por muito tempo.
Tirei a camiseta e com ela limpei o sangue de minhas mãos
- Eles estiveram me matando por tanto tempo.
- E conseguiram, sua alma fede.
- Os corpos deles também.
- Só te resta o físico, mas nem isso está inteiro.
- São apenas marcas, já desisti de chamar atenção pelo
método infanto-juvenil.
Tirei as meias e as arremessei em uma janela aberta do outro lado
da rua.
- Você não devia ter feito isso.
- Eu sei, dei o gosto de se livrar da convivência humana à eles.
- Acha que eles foram pro céu?
- Não sei, desde que não vão para o lugar que irei.
- E pra onde você vai?
- Eu vou pro meu país das maravilhas.
- E o que tem no seu país das maravilhas?
- Lá, os valores são outros.
- E está deixando o lixo.
- Sim. Não vou levar comigo nada material.
- Vai levar o emocional?
- Sim, só vou deixar aqui o intelectual.
- Porque?
- Não quero morrer por esquecimento.
- Vai acabar virando clichê adolescente.
- Na morte tudo é clichê.
Tirei o resto da roupa e fiquei em pé. Chiara me deu a mão.
- Levarei flores azuis.
- Assim espero.
Joguei-me. Chiara ficou sentada aproveitando minha última cerveja
enquanto lia isso. E como de costume, ela adicionou o que faltava.
''Destinatário: papai e mamãe''
Assinar:
Postagens (Atom)