domingo, 30 de dezembro de 2012

Beba menos

A vida é injusta
a cerveja é triste.
Beba mais - diria Bukowski
Beba menos, eu digo
Eu não ouço ninguém
Nem mesmo à mim
Vire a garrafa - me disseram
Mas quem são eles?
Larguei
a cerveja
o Bukowski
o conselho.
A vida é triste.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Nado porque voar é impossível
Corro porque parado é sofrível
Gozo porque Deus é invisível
Acalmo-me pois o amanhã é imprevisível

Não durmo pois o sonho é inatingível
Espanto-me porque viver é incrível
Amo porque a paixão é fungível
Toco porque o físico é tangível

Tento porque tudo é corrigível
Insisto pois a experiência é factível
Recolho-me pois não sou indestrutível
Contenho-me pois sou movido a combustível

Contenho-me porque não sou imbatível
Cogito pois nem tudo é preferível
Ostento pois importa o indefectível
Apago pois nem tudo é imprimível

Calo porque nem tudo é exprimível

-  Invensão Noturna - Kleiton Gonçalves Bezerra Alves
sou presa na realidade
e movida pelo futuro
por isso leio horóscopos
é bom acreditar em alguma coisa,
sabe?
sou sensível
mas não acredito no amor
por isso sou romântica.
sou alcoólatra
mas não sou amante da vida
por isso escrevo.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

você sabe que eu tentei
mas eu só tenho 15 anos e eu me importo em viver
e tudo bem se eu tiver que sofrer
mas é que sempre dizem tanta merda

e você não consegue acender o seu cigarro
e você ri de mim na rua
e você vai embora
e eu queria me importar

mas eu só queria mesmo chorar
ainda não aprendi a me importar
e eles só dizem que nunca vou amar
mas eu não me importo em não me importar

e você me da o seu cigarro
e você ri pra mim na rua
e tudo bem se você quiser ficar
eu realmente não me importo

e você acha isso tudo uma merda
e você me faz chorar
e eu acho que só escrevo merda
e é uma merda se importar

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

8 garrafas vazias e algumas lágrimas sinceras (round 2)


E sentada a beira do prédio fui me matando ao lembrar-me dos momentos em que estive com eles. Chiara me dava algumas cervejas e concordava. Sabemos que ela sou eu, mas em outra dimensão. Tão iguais. Ou nos amamos ou nos odiamos. Apesar de estar mais propícia ao ódio, a companhia dela sempre me agradou. Abri a primeira cerveja. Eu podia dizer o quanto eles estão me matando e culpa-los pela podridão aqui dentro, mas está visível na minha roupa suja de sangue.
- Por eles? Só sinto dó.
- Dó é um sentimento miserável.
- O ódio que sinto por eles também.
Tirei meus colares e anéis e deixe-os de lado. Ela acendeu um cigarro.
- Me chamavam de demônio haha
- O demônio não tem dó de ninguém.
Soltei a garrafa. O vidro minhas ideias, o caco os pensamentos.
- Contei a eles do meu plano suicida. Era bom eu fazer direito, nem fodendo iam cuidar de mim numa cama.
- Acha que aqui é o suficiente?
- Nunca é o suficiente.
Soltei meu cabelo enquanto ela tragava. Tirei o tênis, aquele com qual pisei em todos. Arrumei-o ao meu lado.
- Desde tão cedo.
- Como sabe?
- Não sei. Mas sempre disseram que se esconderam alguma coisa é pro meu próprio bem.
- Bem bem bem. Você guarda muita mágoa.
- Não por muito tempo.
Tirei a camiseta e com ela limpei o sangue de minhas mãos
- Eles estiveram me matando por tanto tempo.
- E conseguiram, sua alma fede.
- Os corpos deles também.
- Só te resta o físico, mas nem isso está inteiro.
- São apenas marcas, já desisti de chamar atenção pelo método infanto-juvenil.
Tirei as meias e as arremessei em uma janela aberta do outro lado da rua.
- Você não devia ter feito isso.
- Eu sei, dei o gosto de se livrar da convivência humana à eles.
- Acha que eles foram pro céu?
- Não sei, desde que não vão para o lugar que irei.
- E pra onde você vai?
- Eu vou pro meu país das maravilhas.
- E o que tem no seu país das maravilhas?
- Lá, os valores são outros.
- E está deixando o lixo.
- Sim. Não vou levar comigo nada material.
- Vai levar o emocional?
- Sim, só vou deixar aqui o intelectual.
- Porque?
- Não quero morrer por esquecimento.
- Vai acabar virando clichê adolescente.
- Na morte tudo é clichê.
Tirei o resto da roupa e fiquei em pé. Chiara me deu a mão.
- Levarei flores azuis.
- Assim espero.
Joguei-me. Chiara ficou sentada aproveitando minha última cerveja enquanto lia isso. E como de costume, ela adicionou o que faltava.
''Destinatário: papai e mamãe''

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Muito além das 8 garrafas vazias

Já foram quase dois litros de uma beberagem estranha preparada por ela. Depois da queda recolhi seus anéis, colar e roupas que sobraram. Fiquei com vontade de sair correndo até onde conseguisse. Sair como uma louca, gritando a plenos pulmões por ai. Ela tentou, mas não morreu. Enquanto eu tiver fôlego para gritar por onde correr, ela não morrerá. Que venham mais 2 litros, pois a noite juntou-se com o dia. Nem sei mais que dia é hoje. Odeio clichês adolescentes. Acabei de contar mais um. Pra quem odeia Bukowski... - Chiara

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Lágrimas sinceras depois de 8 garrafas

E sentada a beira do prédio fui me matando ao lembrar-me dos momentos em que estive com eles. Chiara me dava algumas cervejas e concordava. Sabemos que ela sou eu mas em outra dimensão. Tão iguais. Ou nos amamos ou nos odiamos. Apesar de estar mais propícia ao ódio, a companhia dela sempre me agradou. Abri a primeira cerveja. Eu podia dizer o quanto eles estão me matando e culpa-los pela podridão aqui dentro. Mas está visível na minha roupa suja de sangue.
- Por eles? Só sinto dó.
- Dó é um sentimento miserável.
- O ódio que sinto por eles também.
Tirei meus colares e anéis e deixe-os de lado.
- Me chamou de capeta, de demônio.
- O demônio não tem dó de ninguém.
Joguei a garrafa la de cima. Só ouvi o barulho dela explodindo no chão.
- Uma vez eu disse que iria me matar. Disseram pra eu me jogar de um prédio alto o suficiente pra eu morrer na hora, não queriam cuidar de mim numa cama.
- Acha que aqui é o suficiente?
- Nunca é o suficiente.
Soltei o cabelo e tirei o tênis. Arrumei-os ao meu lado.
- É difícil conviver com isso desde os 5.
- Como sabe que é desde os 5?
- Não sei. Mas com certeza é de antes, eles sempre diziam que fazer regressão é uma coisa ruim, que se esconderam alguma coisa de mim é pro meu próprio bem.
- Bem bem bem
- Dizer no dia do meu aniversário que seria melhor se eu não tivesse nascido e depois me dar um tapa na cara foi pro meu próprio bem também.
- Você guarda muito mágoa.
- Não por muito tempo.
Tirei a camiseta e acendi um cigarro.
- Eles estiveram me matando por tanto tempo.
- E conseguiram, sua alma fede.
- Os corpos deles também.
- Só te resta o físico, mas nem isso está inteiro.
- São apenas marcas, já desisti de chamar atenção pelo método infanto-juvenil.
Tirei as meias e as arremessei em uma janela aberta do outro lado da rua.
- Você não devia ter feito isso.
- Eu sei, dei o gosto de se livrar da convivência humana à eles.
- Acha que eles foram pro céu?
- Não sei, desde que não vão para o lugar que irei.
- E pra onde você vai?
- Eu vou pra minha Pasárgada.
- E oque tem na sua Pasárgada?
- Lá, eles não me amam me dando matérias. Lá, ninguém diz ''É claro que eu te amo! Não viu o que eu te dei semana passada?''
- Por isso está tirando a roupa?
- Sim. Não vou levar comigo nada material.
- Vai levar o emocional?
- Sim, só vou deixar aqui o intelectual.
- Porque?
- Não quero morrer por esquecimento.
- Vai acabar virando clichê adolescente.
- Na morte tudo é clichê.
Tirei o resto da roupa e fiquei em pé. Chiara me deu a mão.
- Levarei flores azuis.
- Assim espero.
Joguei-me. Chiara ficou sentada aproveitando minha última cerveja enquanto lia isso. E como de costume, ela adicionou o que faltava.
''Destinatário: papai e mamãe''

terça-feira, 2 de outubro de 2012

LÍLITCHKA! Em Lugar de Uma Carta


De qualquer forma
o meu amor
- duro fardo por certo -
pesará sobre ti
onde quer que te encontres.
Deixa que o fel da mágoa ressentida
num último grito estronde.
Quando um boi está morto de trabalho
ele se vai
e se deita na água fria.
Afora o teu amor
para mim
não há mar,
e a dor do teu amor nem a lágrima alivia.
Quando o elefante cansado quer repouso
ele jaz como um rei na areia ardente.
Afora o teu amor
para mim
não há sol,
e eu não sei onde estás e com quem.
Se ela assim torturasse um poeta,
ele
trocaria sua amada por dinheiro e glória,
mas a mim
nenhum som me importa
afora o som do teu nome que eu adoro.
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
Afora
o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.
Amanhã esquecerás
que eu te pus num pedestal,
que incendiei de amor uma alma livre,
e os dias vãos – rodopiante carnaval -
dispersarão as folhas dos meus livros…
Acaso as folhas secas destes versos
far-te-ão parar,
respiração opressa?
Deixa-me ao menos
arrelvar numa última carícia
teu passo que se apressa.  -  V
ladimir Maiakovski

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Morte após a vida

Já era quase meio dia e o céu estava escuro, as pessoas estavam tristes e eu estava cercada por flores. Tudo o que eu ouvia era um solo de violoncelo, The Swan. Pessoas sorridentes e tristes. Movimentos dolorosos e lentos. Parecia uma despedida da felicidade. Não acreditava. Não via. Não sentia. Era apenas um caixão metálico, eram apenas pessoas aleatórias, eram apenas rosas brancas, era apenas eu. Eu e a menina da rosa azul. Mais ninguém se importava. Ela me culpava. Me culpava por eu ter sido eu, por eu ter esquecido ele, por eu ter matado nós, por eu não me importar com eles. Que era melhor ser feliz do que viver. Mas nada girava em torno disso. Tudo girava em torno de mim e do caixão metálico. Metálico e vazio. Minhas rosas vermelhas se tornaram pretas. Estava de luto. Luto de minha mente. Matei-o por esquecimento.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Mariana não aguentava mais ser humana, queria ser flor.

Nas flores ela só via cores e o doce aroma;
Nos humanos só via sombras, Sombras que davam medo e que machucavam,
mas Mariana esqueceu que até flores machucam pessoas.

Mariana então queria ser sol, mas se sol fosse, não poderia sentir seu calor.

Mariana indecisa, tentou várias coisas ser: ar, caramujo, guarda-chuva, pedra, água.

Nada era bom pra ela.

Não sei se tentou virar aspirina, mas um monte de aspirina ela virou.
O mundo ficou de ponta cabeça.
E o pro outro lado da vida ela olhou  -  Mariana Rocha